terça-feira, 6 de novembro de 2012

O processo de imigração no Brasil, durante o século XXI.

   Houve uma época em que a relação de patriotismo esteve diretamente ligada a intolerância no Brasil. Defender os interesses da nação foi, por vezes, confundida com discriminação, levando imigrantes a sofrerem pré-conceitos e serem tratados como usurpadores da identidade nacional. Atualmente, deve-se encarar o processo imigratório como alavanca para o desenvolvimento.
   Durante as décadas de 20 e 30 as lavouras de café multiplicavam não só os grãos como as linguagens e culturas daqueles que as cuidavam. Entretanto, estes estrangeiros que misturavam-se aos inúmeros brasileiros, tanto na cultura de subsistência quanto nos mais variados setores, geralmente não gozavam dos direitos que todo ser humano detém.
   Constatou-se que a maioria das imigrações não ocorrem, ainda hoje, por motivação política e sim econômica. Daí a necessidade de políticas públicas de regularização e qualificação destes homens e mulheres que procuram o Brasil. Não há como fechar os olhos, muito menos devolvê-los ao país de origem por simples descaso.
   A solução para a questão imigratória no Brasil exige intervenção imediata do governo federal e garantias individuais e coletivas, tal qual expresso na "Carta Magna". É necessário um coquetel judicioso, baseado na legalidade, ética e respeito aos direitos humanos.
   Sendo assim, percebe-se que para garantir a democracia não deve-se erguer mais muros. Necessitam-se pontes. Não há como renegar o legado dos imigrantes para a formação do Brasil. Deve haver, sim, o respeito a quem se uni em prol do crescimento.

domingo, 3 de julho de 2011

O combate a criminalidade não prescinde o respeito.

     O perfil do cidadão brasileiro passa por um momento de transição, acompanhando a nova ordem mundial de completa socialização, comunicação imediata, acessibilidade e respeito às diferenças. Com as organizações e instituições públicas, em especial a Polícia Militar, não deve ser diferente. Além de material bélico, seus integrantes devem estar munidos de senso crítico, ética e solidariedade.
     Os braços armados do Estado não devem ser compostos por bonecos amestrados e acéfalos, alheios as causas da sociedade que os cerca. O escritor francês Michel Foucault, em “Vigiar e Punir”, destaca bem este aspecto no capítulo “Docilização dos Corpos”. Inconscientemente  criou-se a ideia de que os privilegiados tendem a não reconhecer os movimentos dos desprivilegiados.
     A forma de combater a criminalidade deve conter, também, a entendimento de como surge o problema. O Policial Militar deve entender quais as necessidades que levam uma pessoa a cometer um delito. Daí surge a importância de uma formação profissional, para o policial, pautada em normas que favoreçam o respeito à vida humana, suas individualidades e particularidades.
     Sendo assim, percebe-se que é viável combater a violência. Todavia, não é com mais violência que esta guerra será vencida. Por mais que possa parecer utópico, deve ser criado um perfil ideal do Policial Militar, para que haja um profissional de segurança pública que se reconheça membro da máquina social, que guie-se pela ética, estreite os laços com a comunidade, pregando a paz e praticando o respeito.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Não é mais um problema dos outros, é um desafio!

     A ampliação do crescimento, pautada em propostas de emenda à Constituição, aliada ao avanço econômico do Brasil e boas expectativas de desenvolvimento contribuíram para expansão de um fenômeno iniciado na década de 50 e refletivo da ausência de políticas públicas responsáveis: as favelas. A busca desenfreada dos governos, ao longo dos últimos anos, por índices positivos economicamente margeou cidadãos de baixa instrução e pouca renda a viver em comunidades praticamente isoladas do Estado.
     O que era um problema distante, após algum tempo se tornou empecilho para novos voos sócio-econômicos. As favelas se mostraram organizações repletas de valores individuais, porém carentes de ações governamentais que incentivassem o crescimento dos moradores. Essa carência de recursos desestimulou boa parte dos habitantes das favelas na busca por educação, trabalho digno e saúde de qualidade, tornando-os inertes quanto a garantias básicas e formando um Estado paralelo.
     Estes entraves sociais, frutos do abandono político, abriram as portas dessas comunidades para as drogas e marginalidade. Como consequência, isolaram os moradores, generalizaram e estereotiparam todos, o que se revelou leviano e preconceituoso. Posteriormente, ao esbarrar com a contenção no avanço econômico, por conta da falta de ações definitivas do combate a pobreza, os governos entenderam a importância das favelas.
     O momento revela a transição que passa o país e os desafios a serem encarados. Não adianta antigas fórmulas para novos problemas, é o que dizem sociólogos ligados ao governo, percebendo a complexidade do fenômeno das favelas no Brasil. Sua importância não pode mais ser subjugada, sob pena de estagnação do crescimento do país. É dever do Estado levar dignidade aos seus habitantes e um país digno se faz com respeito à saúde, ao trabalho e a educação do seu povo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

A quem interessar possa...

O texto sob o título "O perfil ideal do Policial Militar." foi escrito por mim na prova do concurso para Sargento da PMBA 2010. A quem interessar possa, o texto recebeu nota 8,0 dos corretores e me garantiu uma das vagas no concurso. E a vida segue...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cabeça fervilhando

     Cabeça fervilhando, coração a mil. Não, não estou louco de paixão, nem de ressaca ou sob o efeito de psicotrópicos. E mesmo se estivesse, tenho certeza que não seria com essa intensidade toda. Dois mil e onze chegou intenso, chutando baldes, paus de barracas e blocos de concreto. O ano começou com tudo. Bem que eu estava estranhando aquela calmaria dos últimos tempos...
     No meio policial costumamos dizer que quando um morro está muito calmo, ele está uma uva. Mas nós sabemos também que aí é que mora o problema. Após incursões constantes a um determinado lugar, os marginais já sabem nosso modo de agir e, da maneira deles, traçam suas estratégias. Por isso está atento a todo o momento não é paranoia de policial maluco. Nunca subestimar ninguém, essa é a regra. Isso deveria ter valido também para pessoas próximas, não só para confrontos com o inimigo.
     Não é engraçado, mas a dor de uma separação, seja ela qual for, é sempre gigantesca. Tanto faz se você se separa do trabalho que gosta e fez por muito tempo, se esta separando da mulher ou do marido, se está separando dos laços familiares, saindo da casa dos pais. Não importa, dói sim. Mesmo que seja uma separação amigável, o primeiro dia sem aquelas certezas incontestáveis é dificílimo. Se é.
     E agora você pode até achar engraçado, mas quando algumas destas separações que citei acontecem de forma conjunta, Jesus! Parem as máquinas! Que ano alterado é esse? Agora releia as opções de separação que eu dei e tente adivinhar as que aconteceram no mesmo dia e, praticamente, simultaneamente. Qualquer que seja as opções que você escolher vai perceber que não é fácil. E mesmo se você rir da situação, eu te perdoo. Depois que o calor da situação já passou, eu consigo rir também.
     A lição que ficou é algo que já disse: nunca subestimar ninguém! Nem os inimigos, muito menos os chegados (me permita essa gíria marginal). Ainda mais os chegados, porque é uma tendência humana passar por cima de quem se gosta para impor o ponto de vista, ou o ponto cego. E quando isso acontece, cruza-se a linha tênue do respeito. Podem acabar todos os sentimentos, bons ou ruins, mas nunca, jamais pode acabar o respeito. Nem em tempos de guerra deve deixar de existir o respeito. Quando se subestima alguém, deixa-se de respeitar a pessoa e esse é o maior perigo.
     A frase famosa que diz: “... quer conhecer alguém, dê poder a ela...”, na verdade deveria ser: “... quer conhecer alguém, dê poder ou desrespeite ela...”. Aí as verdadeiras forças ocultas se revelam. Na verdade eu não acho que a frase deva ser mudada, porque não sou incentivador da falta de respeito. Longe de mim, vítima. Mas avalie você mesmo o respeito, a educação, esses sentimentos que nós, humanos, passamos por cima em desfavor do outro, porque só nós os dominamos.
     Não quero posar de vítima, até porque não tenho vocação. Como diz certa música aí, eu falo muito palavrão... Mas a vida tem dessas coisas. O algoz de outrora é o réu de amanhã. E como amanhã já é outro dia, a cabeça segue fervilhando.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011