Cabeça fervilhando, coração a mil. Não, não estou louco de paixão, nem de ressaca ou sob o efeito de psicotrópicos. E mesmo se estivesse, tenho certeza que não seria com essa intensidade toda. Dois mil e onze chegou intenso, chutando baldes, paus de barracas e blocos de concreto. O ano começou com tudo. Bem que eu estava estranhando aquela calmaria dos últimos tempos...
No meio policial costumamos dizer que quando um morro está muito calmo, ele está uma uva. Mas nós sabemos também que aí é que mora o problema. Após incursões constantes a um determinado lugar, os marginais já sabem nosso modo de agir e, da maneira deles, traçam suas estratégias. Por isso está atento a todo o momento não é paranoia de policial maluco. Nunca subestimar ninguém, essa é a regra. Isso deveria ter valido também para pessoas próximas, não só para confrontos com o inimigo.
Não é engraçado, mas a dor de uma separação, seja ela qual for, é sempre gigantesca. Tanto faz se você se separa do trabalho que gosta e fez por muito tempo, se esta separando da mulher ou do marido, se está separando dos laços familiares, saindo da casa dos pais. Não importa, dói sim. Mesmo que seja uma separação amigável, o primeiro dia sem aquelas certezas incontestáveis é dificílimo. Se é.
E agora você pode até achar engraçado, mas quando algumas destas separações que citei acontecem de forma conjunta, Jesus! Parem as máquinas! Que ano alterado é esse? Agora releia as opções de separação que eu dei e tente adivinhar as que aconteceram no mesmo dia e, praticamente, simultaneamente. Qualquer que seja as opções que você escolher vai perceber que não é fácil. E mesmo se você rir da situação, eu te perdoo. Depois que o calor da situação já passou, eu consigo rir também.
A lição que ficou é algo que já disse: nunca subestimar ninguém! Nem os inimigos, muito menos os chegados (me permita essa gíria marginal). Ainda mais os chegados, porque é uma tendência humana passar por cima de quem se gosta para impor o ponto de vista, ou o ponto cego. E quando isso acontece, cruza-se a linha tênue do respeito. Podem acabar todos os sentimentos, bons ou ruins, mas nunca, jamais pode acabar o respeito. Nem em tempos de guerra deve deixar de existir o respeito. Quando se subestima alguém, deixa-se de respeitar a pessoa e esse é o maior perigo.
A frase famosa que diz: “... quer conhecer alguém, dê poder a ela...”, na verdade deveria ser: “... quer conhecer alguém, dê poder ou desrespeite ela...”. Aí as verdadeiras forças ocultas se revelam. Na verdade eu não acho que a frase deva ser mudada, porque não sou incentivador da falta de respeito. Longe de mim, vítima. Mas avalie você mesmo o respeito, a educação, esses sentimentos que nós, humanos, passamos por cima em desfavor do outro, porque só nós os dominamos.
Não quero posar de vítima, até porque não tenho vocação. Como diz certa música aí, eu falo muito palavrão... Mas a vida tem dessas coisas. O algoz de outrora é o réu de amanhã. E como amanhã já é outro dia, a cabeça segue fervilhando.
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