O perfil do cidadão brasileiro passa por um momento de transição, acompanhando a nova ordem mundial de completa socialização, comunicação imediata, acessibilidade e respeito às diferenças. Com as organizações e instituições públicas, em especial a Polícia Militar, não deve ser diferente. Além de material bélico, seus integrantes devem estar munidos de senso crítico, ética e solidariedade.
Os braços armados do Estado não devem ser compostos por bonecos amestrados e acéfalos, alheios as causas da sociedade que os cerca. O escritor francês Michel Foucault, em “Vigiar e Punir”, destaca bem este aspecto no capítulo “Docilização dos Corpos”. Inconscientemente criou-se a ideia de que os privilegiados tendem a não reconhecer os movimentos dos desprivilegiados.
A forma de combater a criminalidade deve conter, também, a entendimento de como surge o problema. O Policial Militar deve entender quais as necessidades que levam uma pessoa a cometer um delito. Daí surge a importância de uma formação profissional, para o policial, pautada em normas que favoreçam o respeito à vida humana, suas individualidades e particularidades.
Sendo assim, percebe-se que é viável combater a violência. Todavia, não é com mais violência que esta guerra será vencida. Por mais que possa parecer utópico, deve ser criado um perfil ideal do Policial Militar, para que haja um profissional de segurança pública que se reconheça membro da máquina social, que guie-se pela ética, estreite os laços com a comunidade, pregando a paz e praticando o respeito.
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