sábado, 29 de janeiro de 2011

Não é mais um problema dos outros, é um desafio!

     A ampliação do crescimento, pautada em propostas de emenda à Constituição, aliada ao avanço econômico do Brasil e boas expectativas de desenvolvimento contribuíram para expansão de um fenômeno iniciado na década de 50 e refletivo da ausência de políticas públicas responsáveis: as favelas. A busca desenfreada dos governos, ao longo dos últimos anos, por índices positivos economicamente margeou cidadãos de baixa instrução e pouca renda a viver em comunidades praticamente isoladas do Estado.
     O que era um problema distante, após algum tempo se tornou empecilho para novos voos sócio-econômicos. As favelas se mostraram organizações repletas de valores individuais, porém carentes de ações governamentais que incentivassem o crescimento dos moradores. Essa carência de recursos desestimulou boa parte dos habitantes das favelas na busca por educação, trabalho digno e saúde de qualidade, tornando-os inertes quanto a garantias básicas e formando um Estado paralelo.
     Estes entraves sociais, frutos do abandono político, abriram as portas dessas comunidades para as drogas e marginalidade. Como consequência, isolaram os moradores, generalizaram e estereotiparam todos, o que se revelou leviano e preconceituoso. Posteriormente, ao esbarrar com a contenção no avanço econômico, por conta da falta de ações definitivas do combate a pobreza, os governos entenderam a importância das favelas.
     O momento revela a transição que passa o país e os desafios a serem encarados. Não adianta antigas fórmulas para novos problemas, é o que dizem sociólogos ligados ao governo, percebendo a complexidade do fenômeno das favelas no Brasil. Sua importância não pode mais ser subjugada, sob pena de estagnação do crescimento do país. É dever do Estado levar dignidade aos seus habitantes e um país digno se faz com respeito à saúde, ao trabalho e a educação do seu povo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

A quem interessar possa...

O texto sob o título "O perfil ideal do Policial Militar." foi escrito por mim na prova do concurso para Sargento da PMBA 2010. A quem interessar possa, o texto recebeu nota 8,0 dos corretores e me garantiu uma das vagas no concurso. E a vida segue...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cabeça fervilhando

     Cabeça fervilhando, coração a mil. Não, não estou louco de paixão, nem de ressaca ou sob o efeito de psicotrópicos. E mesmo se estivesse, tenho certeza que não seria com essa intensidade toda. Dois mil e onze chegou intenso, chutando baldes, paus de barracas e blocos de concreto. O ano começou com tudo. Bem que eu estava estranhando aquela calmaria dos últimos tempos...
     No meio policial costumamos dizer que quando um morro está muito calmo, ele está uma uva. Mas nós sabemos também que aí é que mora o problema. Após incursões constantes a um determinado lugar, os marginais já sabem nosso modo de agir e, da maneira deles, traçam suas estratégias. Por isso está atento a todo o momento não é paranoia de policial maluco. Nunca subestimar ninguém, essa é a regra. Isso deveria ter valido também para pessoas próximas, não só para confrontos com o inimigo.
     Não é engraçado, mas a dor de uma separação, seja ela qual for, é sempre gigantesca. Tanto faz se você se separa do trabalho que gosta e fez por muito tempo, se esta separando da mulher ou do marido, se está separando dos laços familiares, saindo da casa dos pais. Não importa, dói sim. Mesmo que seja uma separação amigável, o primeiro dia sem aquelas certezas incontestáveis é dificílimo. Se é.
     E agora você pode até achar engraçado, mas quando algumas destas separações que citei acontecem de forma conjunta, Jesus! Parem as máquinas! Que ano alterado é esse? Agora releia as opções de separação que eu dei e tente adivinhar as que aconteceram no mesmo dia e, praticamente, simultaneamente. Qualquer que seja as opções que você escolher vai perceber que não é fácil. E mesmo se você rir da situação, eu te perdoo. Depois que o calor da situação já passou, eu consigo rir também.
     A lição que ficou é algo que já disse: nunca subestimar ninguém! Nem os inimigos, muito menos os chegados (me permita essa gíria marginal). Ainda mais os chegados, porque é uma tendência humana passar por cima de quem se gosta para impor o ponto de vista, ou o ponto cego. E quando isso acontece, cruza-se a linha tênue do respeito. Podem acabar todos os sentimentos, bons ou ruins, mas nunca, jamais pode acabar o respeito. Nem em tempos de guerra deve deixar de existir o respeito. Quando se subestima alguém, deixa-se de respeitar a pessoa e esse é o maior perigo.
     A frase famosa que diz: “... quer conhecer alguém, dê poder a ela...”, na verdade deveria ser: “... quer conhecer alguém, dê poder ou desrespeite ela...”. Aí as verdadeiras forças ocultas se revelam. Na verdade eu não acho que a frase deva ser mudada, porque não sou incentivador da falta de respeito. Longe de mim, vítima. Mas avalie você mesmo o respeito, a educação, esses sentimentos que nós, humanos, passamos por cima em desfavor do outro, porque só nós os dominamos.
     Não quero posar de vítima, até porque não tenho vocação. Como diz certa música aí, eu falo muito palavrão... Mas a vida tem dessas coisas. O algoz de outrora é o réu de amanhã. E como amanhã já é outro dia, a cabeça segue fervilhando.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"...porque constância cria raízes, inconstância me dá asas..."

Ser, estar, sentir nojo e deslealdade.

Sentir nojo de alguma coisa ou alguém é sempre ruim. E nojento. Se você sentir nojo de alguma coisa da qual você faça parte, então, é pior ainda. Não necessariamente irá sentir nojo de você mesmo, neste caso. Por dois motivos. Primeiro, você pode ser um canalha, sem escrúpulos e que simplesmente não se importa se está fazendo o certo ou o errado e no que implica suas ações. Segundo, e se for o caso, é bem melhor que seja assim, - porque eu me sinto assim-, você pode sentir nojo de alguma coisa da qual você faça parte e mesmo assim lutar contra o que há de errado nela. Vou ser mais explícito.
Faço parte de uma corporação a qual deveria servir de exemplo de conduta administrativa e humana, como se fosse possível separar as duas coisas. Sou Policial Militar. Quando cruzamos a fronteira para a caserna, normalmente, chegamos idealistas, legalistas e vários outros adjetivos “istas” que se pode imaginar. Mas eu disse “normalmente”, porque alguns já veem com defeito de fabricação. Eu cheguei um “ista” também. Mas lá, na corporação, você vê tanta coisa errada que constantemente se pergunta se vale a pena lutar contra o sistema, se vale a pena insistir nisso tudo, se vale a pena arriscar sua vida constantemente, se é melhor seguir a maré e deixar-se levar pela onda e ser igual à minoria dominante (contraditório isso, não é?), ou se é melhor desistir logo e tentar outra coisa, outro ramo, outra profissão.
Mas não. Se a pessoa se torna policial por acaso, não é por acaso que ela continua policial. Depois de um tempo entendemos a diferença entre ser e estar. A maioria de nós apenas está alguma coisa. Ser alguma coisa é algo muito maior, muito sublime. Lendo “Elite da Tropa 2” identifiquei bem isso. Naquele livro podemos ter uma noção, ainda que pequena, da máquina de fazer dinheiro e loucos que se tornaram as Polícias do Brasil. O tanto que se ganha no pessoal e o muito que se perde no coletivo.
Hoje olho todo caminho que percorri e vejo que apesar de pouco tempo deu para ter uma noção do terreno tortuoso que me encontro. Sei que não passei nem metade das dores e das vitórias que um policial pode passar. Mas hoje sei também que o nojo que sinto não é da polícia. Longe disso. A Polícia até faz a parte dela à medida que subliminarmente diz a você para que faça apenas o que for necessário. Muitas vezes nós é que complicamos. Hoje sinto nojo é da corrupção. O pior bandido para mim é o policial corrupto, porque além de não respeitar a corporação, ele não respeita a si próprio. Ele é desleal a ele mesmo. 

Contrato de prestação de promessas para o ano de 2011!

      1.       Prometo começar a correr, voltar a nadar e musculação 5
                 dias por semana.
2.       Prometo fechar a boca para algumas besteiras 
            alimentícias e verdades impronunciáveis.
3.       Prometo me dedicar ainda mais ao meu trabalho e ainda  
            mais a um crescimento profissional.
4.       Prometo estudar mais.
5.       Prometo aprender uma nova língua.
6.       Prometo ler mais.
7.       Prometo escrever mais.
8.       Prometo ficar mais perto da minha família.
9.       Prometo ficar mais perto de Deus.
10.     Prometo que esse vai ser o ano mais importante da minha
            vida!!!