A ampliação do crescimento, pautada em propostas de emenda à Constituição, aliada ao avanço econômico do Brasil e boas expectativas de desenvolvimento contribuíram para expansão de um fenômeno iniciado na década de 50 e refletivo da ausência de políticas públicas responsáveis: as favelas. A busca desenfreada dos governos, ao longo dos últimos anos, por índices positivos economicamente margeou cidadãos de baixa instrução e pouca renda a viver em comunidades praticamente isoladas do Estado.
O que era um problema distante, após algum tempo se tornou empecilho para novos voos sócio-econômicos. As favelas se mostraram organizações repletas de valores individuais, porém carentes de ações governamentais que incentivassem o crescimento dos moradores. Essa carência de recursos desestimulou boa parte dos habitantes das favelas na busca por educação, trabalho digno e saúde de qualidade, tornando-os inertes quanto a garantias básicas e formando um Estado paralelo.
Estes entraves sociais, frutos do abandono político, abriram as portas dessas comunidades para as drogas e marginalidade. Como consequência, isolaram os moradores, generalizaram e estereotiparam todos, o que se revelou leviano e preconceituoso. Posteriormente, ao esbarrar com a contenção no avanço econômico, por conta da falta de ações definitivas do combate a pobreza, os governos entenderam a importância das favelas.
O momento revela a transição que passa o país e os desafios a serem encarados. Não adianta antigas fórmulas para novos problemas, é o que dizem sociólogos ligados ao governo, percebendo a complexidade do fenômeno das favelas no Brasil. Sua importância não pode mais ser subjugada, sob pena de estagnação do crescimento do país. É dever do Estado levar dignidade aos seus habitantes e um país digno se faz com respeito à saúde, ao trabalho e a educação do seu povo.